Quarta 15 Agosto 2018

depoimentos

Marco Pereira

Marco PereiraSempre me vem a lembrança sua risada de 'mil dentes'. Quando ele estava de bom humor, era a pessoa mais gentil, engraçada, inteligente e agradável desse mundo.

A convivência com o Nico era sempre muito intensa, tudo era sempre 'muito', qualquer que fosse o estado de espírito do momento: alegria, raiva, energia, euforia, etc. Fiz alguns bons trabalhos com o Nico mas o mais importante, para mim, foi o duo que mantivemos durante uns três anos. Ele sabia muito e eu aprendi muito com ele.

O Nico tinha um  detalhe na sua personalidade que era muito interessante. Qualquer que fosse o show e a situação em que ele se apresentasse,  boa ou ruim (às vezes até péssima...), mesmo que ele subisse no palco de mal humor, em questão de 3 minutos a música o transformava em pura alegria e contentamento. Eu nunca vi o Nico tocar pra baixo ou sem vontade, isso era impossível.

O Nico criou uma escola do baixo brasileiro e mostrou que é possível (pelo menos era para ele...) tocar o baixo elétrico e o acústico com a mesma desenvoltura, mantendo as particularidades que cada instrumento tem.

Acho que ele sempre será a maior referência do contrabaixo no Brasil.

Curriculum

É natural de São Paulo onde fez seus estudos de violão. Viveu na França por cinco anos; recebeu o título de Mestre em Violão pela Université Musicale Internationale de Paris.

Marco PereiraApresentou-se com grande sucesso no Festival de Jazz de Paris de 1989, o que lhe possibilitou fazer apresentações na Alemanha, França, Suiça, Dinamarca, Canadá e Estados Unidos.

Na Espanha, obteve dois prêmios em importantes concursos internacionais: Concurso Andrés Segóvia e Concurso Francisco Tárrega.

De volta ao Brasil, criou os cursos de Violão Superior e Harmonia Funcional da Univerdade de Brasília. Gravou 2 discos pelo selo Som da Gente, de São Paulo (Violão Popular Brasileiro Contemporâneo e Círculo das Cordas), trabalhos que o levaram ao Town Hall, de Nova York, em 1988.

Participou em 4 edições do Free Jazz Festival, em 1989, 1991, 1992 e em 1996. Gravou com importantes artistas do cenário musical brasileiro, tais como: Zélia Duncan, Edu Lobo, Cássia Eller, Gilberto Gil, Gal Costa, Wagner Tiso, Daniela Mercury, Zizi Possi, Rildo Hora, Paulinho da Viola, Tom Jobim, Milton Nascimento, Leila Pinheiro, Fátima Guedes, Nelson Gonçalves e Roberto  Carlos, entre outros.

Recebeu o prêmio Sharp em dois anos consecutivos: em 1993, o de Melhor Arranjador de MPB pelo disco Gal e, em 1994, na categoria instrumental, o prêmio de Melhor Solista e Melhor Disco Instrumental do ano, pelo trabalho Bons Encontros em duo com o pianista Cristóvão Bastos. 

É autor de vários CDs, como: Dança dos Quatro Ventos, Elegia, Classics da Holanda, Brasil Musical, Valsas Brasileiras e Luz das Cordas, Original, O samba da minha terra, Stella del Matino, Essence, Camerístico - seu primeiro trabalho de violão e orquestra.

Tem mantido intensa atividade como solista, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, onde se apresenta freqüentemente.

Em 2007 lançou o livro com  CD Ritmos Brasileiros, um trabalho de pesquisa dos principais ritmos brasileiros de todas as regiões do Brasil.