Sexta 28 Abril 2017

depoimentos

Nelson Faria

Nico foi um músico excepcional. Dominou seu instrumento e a música como raros que passaram por esse planeta.

Pensando no Nico, lembro-me de como fiquei impressionado quando o ví tocar ao vivo pela primeira vez. Foi em um concerto no Jazzmania (antigo club de Jazz no Rio de Janeiro). Ele tocava com uma fluência de fazer babar... passando do baixo elétrico para o acústico como se nada tivesse acontecido. Eu tinha recém chegado dos EUA do curso que fiz no GIT e lembro que comentei com a pessoa que estava ao meu lado... "esse cara tocando me faz sentir no primeiro mundo" . Nico de uma certa forma fez isso, elevou a nossa música ao patamar de primeiro mundo.

Nico era uma personalidade muito louca! Quando ele era side man (ou seja, era só o baixista da banda) ele era o cara mais generoso que se podia encontrar. Super relax e tal... Agora, quando o trabalho era no nome dele, tipo " Nico Assumpção e Banda" ... hummmmm ... aí , sai da frente... o cara era uma "pilha"!!! Quando eu e o Lincoln faziamos o show em trio com ele, antes do show nos perguntávamos: Quem será quem vem tocar hoje? O Nico ou o Capetão? Ele tinha aquela característica de "morde e assopra" sabe como é?

Mas entre altos e baixos, na enorme maioria das vezes, lembro do Nico como um cara super generoso à quem eu tenho muito a agradecer. Tivemos uma empatia imediata quando tocamos pela primeira vez e não paramos de tocar mais, até quando deu... Sinto muito sua falta.

Me lembro a primeira vez que toquei com o Nico. Havia me mudado para o Rio de Janeiro a 2 dias e me disseram que no Jazzmania rolava uma jam session as segundas feiras. Totalmente na "cara dura" peguei minha guitarra e fui lá ver como era. Quando cheguei, o show já tinha começado e o trio que recebia os "canjeiros" fazia o primeiro set. O trio era formado pelo Nico, Marinho Boffa e Carlos Bala. Logo veio o intervalo e o Nico anunciou que no próximo set abriria para as "canjas". Quando começou o set, logo subi pra tocar uma música com eles (claro, super nervoso...). Subí, me apresentei, toquei. Quando terminou a música, ia desligando a guitarra quando o Nico chegou perto de mim e falou: "Fica ai e toca até o fim do set conosco, se não vai encher de bicão no palco!" rsrsrs... Quando o set terminou, descemos do palco e ele disse pro Marinho. "Tá aí o guitarra que você tava procurando pro show semana que vem na Catacumba!." Bom, naquele momento o Nico tinha me arranjado meu primeiro Gig oficial no Rio!

Nico era um músico completo: um arranjador de mão cheia, um super solista e um super músico de base.

Como solista deixou uma escola que vai se perpetuar e gerar frutos infindáveis.

Nico tinha um problema para terminar alguns projetos que tinha começado. Não sei dizer porque, de repente, ele começou a fechar os ciclos e terminar os trabalhos. Fez 2 CDs solos e publicou um livro, todos nos meses que antecederam sua passagem. Que bom que esses CDs e esse livro ficaram prontos a tempo. A música e os músicos brasileiros agradecem.