Segunda 10 Dezembro 2018

depoimentos

Oswaldo Amorim

A lembrança viva na memória do maior baixista que o Brasil possuiu.

O Nico foi extremamente generoso durante os três cursos de verão que tive o privilégio de cursar com ele (1992;1994; 1995). Minha carreira musical se divide em antes e depois do Curso Internacional de Verão de 1992. Foi um divisor de águas, em uma épôca em que praticamente não existia material didático disponível, não havia internet, e quase todos os discos tinham que ser importados e eram caríssimos.

De repente lá estava eu diante de um músico que tocava com uma habilidade técnica e com um conhecimento harmônico como nunca tinha visto em minha vida, e com a oportunidade de perguntar e tocar ao lado dele, isso durante 20 dias seguidos, uma verdadeira overdose musical. Nico me abriu portas para várias possibilidades musicais que até então pareciam inatingíveis. Me ensinou o quê e como estudar. Deu dicas maravilhosas de como ser um profissional e construir uma carreira. Serviu de exemplo também do que eu não queria para mim, pois era dono de um "gênio difícil", e muitas vezes era capaz de atitudes que não condiziam com sua generosidade.

Foram vários os que tive a oportunidade de vê-lo tocar, inclusive em seu trabalho solo, mas nenhum foi mais marcante que o show de Duo com o João Bosco na sala Villa Lobos em Brasília, se não me engano em 1993. Foi simplesmente impressionante assistir esses dois músicos e não sentir falta de instrumento algum, ao contrário, parecia que havia uma Big Band ali.

O senso melódico e contrapontístico eram sua marca registrada, ficou marcado como um dos maiores improvisadores do Brasil, mas Nico era também um exíminio acompanhador, e isso ficou claro para mim naquele show. Ele acompanhou, solou inúmeras vezes, utilizou o baixo como bateria, percussão, como quarteto de cordas (voicings belíssimos), fez contrapontos primorosos, e o mais impressionante, com o mesmo nível técnico, tanto no acústico quanto no elétrico.

Dismistificou os músicos de fora, que eram endeusados e pareciam inantingíveis. Nico estava no mesmo nível ou acima deles; tocava todos os estilos e todos os baixos de igual para igual com qualquer nome do contrabaixo internacional, mas com uma vantagem, além dessa versatilidade incrível, Nico tocava música Brasileira como poucos aqui.

Curriculum

Oswaldo Guimarães Amorim Filho - Baixo Acústico/Baixo Elétrico - Professor Efetivo de Contrabaixo da EMB

OswaldoNatural do Rio de Janeiro, iniciou seus estudos em música em 1979, no Conservatório Carlos Gomes em Belém do Pará. Estudou ainda na Escola de Música de Brasília (1990 – 1992) e graduou-se em Licenciatura em Música pela Universidade de Brasília em 1996. Em 1997, selecionado pelo programa APARTES (MEC), muda-se para Nova York onde conclui o curso de especialização em contrabaixo pela Bass Collective, sob a orientação de John Patitucci.

Ainda em Nova York é premiado com uma bolsa de 75% pela Manhattan School of Music, onde concluiu o curso de Mestrado em Jazz Performance, em 2001, sob a orientação de Jeff Andrews.

Músico profissional desde 1990, já se apresentou em várias cidades no Brasil e no exterior (EUA, Equador, Portugal, Rússia, Ucrânia, Cuba, Paraguai), tendo gravado e tocado ao lado de: Hermeto Paschoal, Raul de Souza, Marcio Montarroyos, Léo Gandelman, Nivaldo Ornelas, Robin Eubanks, Toninho Ferragutti, Raul Mascarenhas, Sérgio Sampaio, Vinicius Cantuária, Marcos Ariel, Henrique Cazes, Vitor Santos, Victor Biglione, Bocatto, Daniela Spielman, entre outros.