Terça 18 Setembro 2018

depoimentos

Ney Neto

Penso no Nico como uma frase magistral executada com perfeição em um baixo de seis cordas. A memória associativa que tenho do Nico é quase sonora, penso nele e já ouço aquelas frases estarrecedoras. Ele achou uma onda muito peculiar de se relacionar com o instrumento de seis cordas, era um mago!

Acho que em minha trajetória eu acabei dando a sorte de conhecer o trabalho do Nico somente quando eu estava preparado para aquilo. A primeira música que ouvi dele foi Paca Tatu Cotia Não, um tema que eu adoro. Por sorte eu já tocava há bastante tempo e pude estudar aquele solo, tirando e analisando as escalas utilizadas pelo Nico. Acho que todo baixista que improvisa tem algumas frases debaixo da manga que vem do mestre Nico, especialmente quem utiliza 6 cordas. Então eu diria que essa foi a grande contribuição da música do Nico em minha formação, guardar esses licks que ele tocava com uma fluência maravilhosa e muito bom gosto (ah! em qualquer tonalidade! Ele era um gênio de harmonia e improvisação!)

Puxa, eu pessoalmente gosto muito de uma apresentação do Nico em Brasília ao lado do Nelson Farias. Aquilo é impressionante do começo ao fim! Eu tinha um VHS que levei pra transformar em DVD, pra guardar mesmo. Pode passar 200 anos e surgirem trezentos baixistas virtuosos. Aquele show continuará sendo épico! Porque o Nico era mais do que virtuose, ele era gênio!

Nico abriu as portas, ele foi para os Estados Unidos, voltou ao Brasil, gravou disco solo de baixo, foi alçando nosso instrumento a um patamar completamente diferente do que estava. O que o Nico fez pelo baixo no Brasil é semelhante ao que o Jaco Pastorius fez no mundo todo pelo baixo elétrico.

Tem uma coisa que precisa ser mencionada: O Nico tocava baixo acústico monstruosamente bem, da mesma forma que tocava o elétrico. Vale a pena para as novas gerações de baixistas pesquisarem a obra desse grande mestre da música brasileira.

Curriculum

Baixista e produtor natural de São Paulo, Ney Neto estudou na Berklee College of Music, em Boston.

Ney NetoGravou e tocou ao lado de grandes artistas, como Todd Johnson, Jim Stinnett, Mike Stern, Ale Demogli, Michael Manring, Jeff Andrews, Joe Lovano, entre outros. Ao lado de Celso Pixinga, formou o Two Four, projeto que traz além dos dois baixistas a presença de Thomas Arey (bateria) e Everett Pendleton (guitarra). Com esse quarteto que possui um DVD lançado, tem se apresentado pelo Brasil, America Latina, Oriente e Estados Unidos.

É baixista do Martin Schaberl Brazilian project, que tem um disco lançado ao lado de Sandro Haick, Thiago Espírito Santo, Gabriel Grossi, Walmir Gil, Wagner Barbosa, Guga Bassi, Macos Luz e Maria Diniz. Ney escreveu o método Pentatonica Plus e o método Latin Bass Lines, lançado nos Estados Unidos pela Stinnet Music Non-pareil, que fornece ainda o curso online de autoria do baixista.

É professor de baixo, lecionando no Brasil e no exterior - através de workshops - como no evento anual New Hampshire Bass Festival e em clínicas na Emu Educação Musical, em La Plata. É autor de diversas trilhas e jingles, produzidos em seu estúdio em São Paulo, como a trilha Lounge Music Assortments, utilizada mundialmente nos hotéis Sofitel, e na rádio das aeronaves da TAM.

Ney é endorser: D'Mark Baixos, Cordas SG, caixas Snake, amplificadores Epifani, correias Basso, Power Click.